Em momentos de dificuldade, controlar gastos e fazer cortes são as primeiras medidas adotadas pelas empresas. Só que essa nunca é uma decisão fácil, pois sempre há o risco de que a redução dos custos limite o desempenho do negócio.

Os custos, afinal, são gastos vinculados à atividade-fim, ou seja, estão relacionados à produção de bens e mercadorias que serão comercializados, como matéria-prima e mão de obra, de forma que sua retração afeta diretamente a produtividade. Por isso, é preciso olhar também para a receita, pois o foco maior nos custos demonstra uma visão de curto prazo, que pode sustentar as operações no momento, mas dificultar o processo de retomada.

Apesar disso, é inegável que adequações no orçamento são indispensáveis em momentos críticos como os que o Brasil tem enfrentado nos últimos cinco anos, com forte redução do mercado consumidor. Entretanto, o corte de custos feito sem planejamento é sempre um risco, pois pode atacar a lucratividade e as operações futuras. Por outro lado, cortes bem planejados podem ter efeito positivo sobre o negócio. Cortar custos de maneira uniforme em todas as áreas é um grande erro, pois setores que eram lucrativos e eficientes provavelmente terão seu desempenho comprometido.

O melhor a ser feito agora por empresas que adotaram essa prática recentemente é revisar as finanças para identificar qual foi o impacto da redução de custos e que tipo de benefícios ou dificuldades ela trouxe. Só então se deve pensar em novas medidas de austeridade. Esse diagnóstico pode, inclusive, revelar o oposto: a necessidade de investir pontualmente em determinadas áreas. Tudo que não está sendo usado e pode ser considerado desperdício deve ser cortado, independentemente do valor que representa. Depois, é preciso identificar onde os esforços estão gerando mais retorno.

Várias possibilidades Redução de custos envolve tanto olhar apenas para dentro como compreender toda a cadeia em que a empresa está inserida, do fornecedor até o cliente. Isso inclui a estrutura tributária, que pode ser alvo de um planejamento com o objetivo de melhorar a eficiência e reduzir a carga no que for possível. Também merece destaque a gestão por processos. Conhecer detalhadamente os processos da empresa possibilita encontrar alternativas interessantes que trarão retorno financeiro em curto e longo prazo. Outro recurso disponível é a gestão dos ativos.

Assim como qualquer investimento, todo ativo adquirido precisa gerar o máximo de resultado. Equipamentos, imóveis, veículos e outros itens tornam-se parte do problema quando ociosos, pois têm custos de manutenção e depreciação. A saída, nesse caso, pode ser usar esses bens para gerar resultado financeiro, como alugar salas comerciais que não estejam sendo utilizadas ou assumir produções de outras empresas, de forma terceirizada. Essas medidas, contudo, precisam ser avaliadas em conjunto com o contador, considerando possíveis riscos envolvidos e sua viabilidade em termos legais.

Ainda a esse respeito, não se deve negligenciar a manutenção dos bens, mesmo em tempos de crise, pois o custo com acidentes e perdas é sempre maior. Qualquer que seja a ação pretendida, no entanto, é indispensável ter o cuidado de sempre projetar e avaliar seu impacto nas operações.

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